Há mulheres como herbários.
LÍLIA TAVARES, in BAILARINAS DE CORDA (Poética Ed, 2019)
Há mulheres como herbários. Arriscam revelar-se desde a raiz, porção mais íntima e funda de si. Outras oferecem flores e rebentos como abraços. Das águas bebem sofregamente pela pele quando pálidas e desidratadas.
Não desprezam a função que a haste e as folhas tiveram no crescimento e nas danças impulsionadas por ventos. Permitem que a seu tempo se apartam das sementes e as espalhem noutros lugares.
Esvaziadas sorriem nos espelhos com a alegria apenas justificada pela intuição da sobrevivência. A beleza e a vida, em embrião, podem desenlaçar-se com uma lágrima de chuva. Não carecem de louvores, pois é o eco das seivas que lhes restitui a serenidade para prosseguir.
As ervas são o leito de todas as madrugadas.
Há mulheres como herbários. Arriscam revelar-se desde a raiz, porção mais íntima e funda de si. Outras oferecem flores e rebentos como abraços. Das águas bebem sofregamente pela pele quando pálidas e desidratadas.
Não desprezam a função que a haste e as folhas tiveram no crescimento e nas danças impulsionadas por ventos. Permitem que a seu tempo se apartam das sementes e as espalhem noutros lugares.
Esvaziadas sorriem nos espelhos com a alegria apenas justificada pela intuição da sobrevivência. A beleza e a vida, em embrião, podem desenlaçar-se com uma lágrima de chuva. Não carecem de louvores, pois é o eco das seivas que lhes restitui a serenidade para prosseguir.
As ervas são o leito de todas as madrugadas.
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