Américo
Sentado
Castanho, o cordão de algodão cai inanimado no chão. Sem forças, encontra o soalho e deixa- se ficar, perdido, longe de seu gêmeo com quem trava laços de fraternidade todos os dias. Do outro lado do sapato, o direito, o gêmeo, sem sentido pende mas não toca, a madeira, como que adormecido pende, mudo, implorando para que os unam uma vez mais. Momentos repetidos incessantemente todas as semanas, mas em cada dia, uma só vez, pela alvorada, delicadas mãos apertam os sapatos.
Cor de laranja, a meia espreita, por entre a tez clara de Américo, a meia suspira, alivia o elástico e deixa-se pender livremente mostrando ainda mais a cor cal. Cal é a cor de Américo,
Calcinado o meu espírito jaz nesta chapa lançada ao vento, morro lentamente sobre as pernas bambas que já não as tenho. Purgatório eterno que carrego.
As pequenas pernas unidas nos joelhos lancam-se para os lados formando um trapézio de força, esperando assim que juntas suportem o peso próprio até o sino enunciar o intervalo da manhã. As calças escuras como breu, de um azul escuro negro como a noite revestem as garulas finas e magras de Américo. Os suspensórios tirantam o resto do corpo como que suspenso e desligado das pernas. Uma marioneta pálida, imóvel, sentada, perscruta e tenta decifrar o som que vem do quadro de ardósia.
Um som irascível rompe o ar, corta-o em dois, o coração aperta, o ar foge, e um calor imenso conforta-o por breves momentos, um calor visceral, acaricia as pernas, líquido, asséptico, percorre a pele fina, ao arrefecer, petrifica Américo, bloqueio perfeito dos sentidos. Imperfeito estado emocional que verga o eu, dilacera o estômago
Castanho, o cordão de algodão cai inanimado no chão. Sem forças, encontra o soalho e deixa- se ficar, perdido, longe de seu gêmeo com quem trava laços de fraternidade todos os dias. Do outro lado do sapato, o direito, o gêmeo, sem sentido pende mas não toca, a madeira, como que adormecido pende, mudo, implorando para que os unam uma vez mais. Momentos repetidos incessantemente todas as semanas, mas em cada dia, uma só vez, pela alvorada, delicadas mãos apertam os sapatos.
Cor de laranja, a meia espreita, por entre a tez clara de Américo, a meia suspira, alivia o elástico e deixa-se pender livremente mostrando ainda mais a cor cal. Cal é a cor de Américo,
Calcinado o meu espírito jaz nesta chapa lançada ao vento, morro lentamente sobre as pernas bambas que já não as tenho. Purgatório eterno que carrego.
As pequenas pernas unidas nos joelhos lancam-se para os lados formando um trapézio de força, esperando assim que juntas suportem o peso próprio até o sino enunciar o intervalo da manhã. As calças escuras como breu, de um azul escuro negro como a noite revestem as garulas finas e magras de Américo. Os suspensórios tirantam o resto do corpo como que suspenso e desligado das pernas. Uma marioneta pálida, imóvel, sentada, perscruta e tenta decifrar o som que vem do quadro de ardósia.
Um som irascível rompe o ar, corta-o em dois, o coração aperta, o ar foge, e um calor imenso conforta-o por breves momentos, um calor visceral, acaricia as pernas, líquido, asséptico, percorre a pele fina, ao arrefecer, petrifica Américo, bloqueio perfeito dos sentidos. Imperfeito estado emocional que verga o eu, dilacera o estômago
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