Todo ano, no apagar das luzes
Desfila a barca dos desejos
Pelo mar dos festejos.
Pedem paz, saúde, dinheiro...
Fico observando o espetáculo por inteiro.
Todo ano se repete.
Parece que todo mundo se derrete.
Por alguns momentos parece um nascimento,
Planta tão viva quanto uma bolha de sabão em movimento.
Segue a mesma embarcação,
Que navega em uma única direção:
A que leva o barco a poucas mãos
E deixa um oceano de desengano e escuridão.
No escuro não há paz, não há saúde, não há Buda
Que nos acuda.
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