Nos meus ouvidos um som agradável embala-me o corpo.
Mas este meu estado de tranquilidade não fica. Há um corte no tempo, um rasante ruído que se prende no fim da agulha.
Lá fora, onde queria encontrar-me, o sol tem um sorriso sarcástico. Nem"Lições de Tango" ou "Sapatos de Rebuçado", muito menos "Vai Onde Te Leva O Coração"... talvez um " No Coração Desta Terra" ou outro Coetzee qualquer, mas não, nada me agarra aqui.
Corpo flutuante, pés colados ao chão, amarelo e falso.
O meu sentido continua pregado a ti, no teu sabor, na tua comida e na tua voz.
Canta para mim que eu escuto com a mesma perseverança de uma gaivota sobre a migalha perdida nos resíduos do asfalto.
Consigo imaginar-te apressado, com cheiro a refugado a cortar os legumes e a lavar os alhos.
O sol está a deixar de sorrir mas o meu, agora, é maior do que a boca da Emília.
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