O parapeito cerra-se com a janela
Quero uma janela forrada de pássaros.
De bolas de sabão.
Estas janelas anónimas e cegas.
Onde esperam os anos que por nós passam.
Sem fio que os una e os separa.
À janela, acorda-se e adormece-se.
Agarrados ao parapeito.
Sentados numa cadeira para assistir à noite.
Noite que rói o azul, que em mim, não tenho.
Apenas as estrelas crepitam, mas o corpo, não.
Vivo a vida que escuto em mim.
O cicio e a fala, no que alheio vivo.
Os contos contam-se, pousando a cabeça.
Em dúbia de corpo e de sonho.
Quando a escuridão se fecha, por fim.
Conformo-me com o frio e a escuridão.
O parapeito cerra-se com a janela.
Em criança, nunca fui quem a cerrou.
Zita Viegas
De bolas de sabão.
Estas janelas anónimas e cegas.
Onde esperam os anos que por nós passam.
Sem fio que os una e os separa.
À janela, acorda-se e adormece-se.
Agarrados ao parapeito.
Sentados numa cadeira para assistir à noite.
Noite que rói o azul, que em mim, não tenho.
Apenas as estrelas crepitam, mas o corpo, não.
Vivo a vida que escuto em mim.
O cicio e a fala, no que alheio vivo.
Os contos contam-se, pousando a cabeça.
Em dúbia de corpo e de sonho.
Quando a escuridão se fecha, por fim.
Conformo-me com o frio e a escuridão.
O parapeito cerra-se com a janela.
Em criança, nunca fui quem a cerrou.
Zita Viegas
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