O Fim Partido ao Meio (Soneto Brasileiro nº 1)


Aqui me tens o rio-voz e o semblante 
      o dedo pródigo o negado gesto
      os pés apenas tristemente postos
Na parca sombra deste pó errante.
 
A carne feito morta casamata
      os olhos sempre tristemente tristes
      e esse azul tangente do desgosto
      estampado no código dos dentes
que nos lábios a própria vida cata.
 
A esperança é antiga ficção
       passadas largas do passado morto.
      Nos bolsos fartos para tanta carga
      pastam sedentos de mais água e pasto
vivos duendes da desilusão.

215 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.