O Fim Partido ao Meio (Soneto Brasileiro nº 1)
Aqui me tens o rio-voz e o semblante
o dedo pródigo o negado gesto
os pés apenas tristemente postos
Na parca sombra deste pó errante.
A carne feito morta casamata
os olhos sempre tristemente tristes
e esse azul tangente do desgosto
estampado no código dos dentes
que nos lábios a própria vida cata.
A esperança é antiga ficção
passadas largas do passado morto.
Nos bolsos fartos para tanta carga
pastam sedentos de mais água e pasto
vivos duendes da desilusão.
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