(Ó)B(R)ALADA
(Ao Recife)
Trouxeram enigmas do oriente
e vários outros condimentos
de aviar sonhos e sementes
de areia pedra sal intentos.
Então de sonho e fé somente
os alicerces inventaram
de novo amor impenitente
que mágoa aqui desmantelaram.
De Coimbra içaram sinos
ruas de Lisboa azulejos
do Porto e olhos ultramarinos
dos portulanos lá do Tejo.
Içaram solidões que ouvimos
quando o galo eriça as quilhas
tatala insones contrapinos
nos vitrais que a saudade trilha.
Sonho mar e rios inventaram
a ti ó cidade mais que estiva.
Depois os mangues laboraram
tuas grinaldas de águas-vivas
que os horizontes coroaram
e a lama enfim fez-se grandeza
que caranguejos habitaram
magoando tua realeza.
Em que transação se procria
flamengo ex-voto de novembro?
Há lamentos de maresia
nas dores das tuas novenas.
Olinda. 14.06.2021.
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