BAR BALADA
Sentiu de agosto o astrolábio
mudar-se em ventos e arruelas
concêntricas (o vento sábio
fechando-lhe a cidadela
de silêncio além dos lábios
mudos de signos e certezas
fechou também seu alfarrábio)
pôs sua tristeza sobre a mesa.
Agosto sentiu era propício
ao dedilhar do provisório
cavar nas mãos os precipícios
amar amores ilusórios
fazer do mundo um edifício
sabendo a sombras noites ventos.
Um signo brotou sub-reptício
de selvagem mágoa e lamento.
Lembrou-se então de ser palhaço
mas viu que a noite ébria era fria
e copo e olhos serem baços
no bar de sombra em que vivia.
A noite fez-se em estilhaços
e em cada caco havia um tom
da textura mórbida do aço
com desencantos de neón.
Perdeu o sextante do cansaço
e a maga bússola dos bares
objetos que idos dos seus braços
mordem saudades insulares.
Recife, Bar Banguê, 14.10.1983.
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