MEMÓRIA DO FILHO ENQUANTO VIVO
Tua voz reveberava
nos colmilhos da noite
e ardias no passado
como ardes no presente.
Sabes-me sul e norte
silêncio e algazarra
lamento e profanações
um repicar de holocaustos
na clausura da memória.
Em ti fervilhavam os covis da vida
e eras salvas e retumbâncias
reentrâncias e conclaves
perpetrações de alegrias
e ondulações de cismas.
Explodias em calmarias
acalentando alfarrábios e portulanos.
Ensimesmavas jograis e cabras-cegas
heremitérios desbravados
no trânsito da existência construtora.
Agora não mais és trilho nem capitanias
nem livros nem vilegiatura
és solilóquio virtual
escambo de matrizes conceituais
trilha de hipocampos neurais
capacitando jogos e fantasias
onívora destra binária
perlustrando telas e hologramas.
Eu te conheço e me conheces
na distância que nos separa
e nos une tronco e ramo
da equação humana.
Recife, 22/03/2019.
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