PEIXEIRA
Não tem horizonte
o aço, nem lhe vê o lume
nem sente seu cansaço
quem se deixa penetrar
no dentro
pelo dente seu próprio.
No fio travesseiro de rotina
guia referendo de certeza
o corte de quem serve
a safra e a mesa
o prumo que lhe dá
a alma guilhotina.
Assim, profusa em retidão,
ess’alma desce da epiderme
para o centro do corpo
de melancia ou de madeira
assim de osso ou de carne
seu fim, o que lhe arde.
Quem lhe vê sombra
o corpo liso na mão
não se apercebe do grosso
do bruto e do grotesco
da vertente luz
que brilha no centro
do ser peixeira.
Recife,13/06.2023.
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