PRAÇA DO FIM DO MUNDO
Divisa com o nada, distrito de Capricórnio,
amarra amarga no Cristo do Sem-Fim,
na caatinga adormece clorofórmio,
uma resma de ausência de capim.
Entre Nelson e Guigui passam borboletas
e abrem-se cascatas de inadormecidos sonhos
um fecho éclair no rabo do cometa
que fechou a rosa de carmim.
Antonio-Socorro unindo o sul sem clarineta
ao nordeste del sol a pino sustentado
pelas caravelas carnívoras do amanhecer
trazem o Sul no ventre do chapéu gaúcho
e no cheiro concorrido de churrasco.
Ali depois de Serra Branca
antes de Pernambuquinho
em vigília se ergue Monteiro
berço caririense das Quincas
de onde egressas pelo pó caminhado
nos sacolejos da vida e do amor.
Ali no desbravamento Batista do Monteiro
nasceu Zeca Fogueteiro
morto em discussão por nonadas
no espoucar de um busca-pé
nos ares juninos do São João.
Ainda dormimos com essas lembranças
dançando na parede da memória...
Olinda, 30/abril/2023.
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