Um animal com dor no peito
Algo se ascende, inquebrantável,
no fundo das minhas pálpebras.
É uma luz opaca de coisa alguma,
um ventre nutrindo o ápeiron
em pleno parto de recordações
que não são minhas. O que será?
O que será que causa a dor
que ordena as nuvens do peito
em uma escala tão vespertina,
apenas para que aquele avião
siga rasgando um véu de sonhos
ainda não desvelados? O que será?
Talvez mero princípio do estouro
direcionado para a aorta,
detalhe objetivo da existência
que sopra, em um segundo, aquilo
que sobra quando insistimos
em dividir o que nos resta.
E esse algo permanece, irredutível,
no fundo de todo horizonte.
Eclodindo tal qual uma tempestade
cujos ventos ameaçam edifícios
em uma intenção de Bastilha
- Ainda que inócua, meramente visual.
E eu, que encaro de dentro, fujo.
Percorro o cansaço como um cão
que lambe a mão do dono que o agrediu.
Perco-me naquilo que surge do vácuo
e produzo cinismo e apatia
entre o abrir e fechar das pálpebras.
no fundo das minhas pálpebras.
É uma luz opaca de coisa alguma,
um ventre nutrindo o ápeiron
em pleno parto de recordações
que não são minhas. O que será?
O que será que causa a dor
que ordena as nuvens do peito
em uma escala tão vespertina,
apenas para que aquele avião
siga rasgando um véu de sonhos
ainda não desvelados? O que será?
Talvez mero princípio do estouro
direcionado para a aorta,
detalhe objetivo da existência
que sopra, em um segundo, aquilo
que sobra quando insistimos
em dividir o que nos resta.
E esse algo permanece, irredutível,
no fundo de todo horizonte.
Eclodindo tal qual uma tempestade
cujos ventos ameaçam edifícios
em uma intenção de Bastilha
- Ainda que inócua, meramente visual.
E eu, que encaro de dentro, fujo.
Percorro o cansaço como um cão
que lambe a mão do dono que o agrediu.
Perco-me naquilo que surge do vácuo
e produzo cinismo e apatia
entre o abrir e fechar das pálpebras.
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