O que é a solidão?
Vivo no lusco-fusco da sombra da noite, cometo a indulgência da meia-noite,
prego ao vulto que me julga no lugar de mim mesmo e,
carrego esse peso no seio do átrio do pecado.
Vivo sem ré nem remos, sem lograr ou refletir aquele que será o meu testemunho.
Sozinho penso, sonho como, acompanhado dessa pensamento ensurdecedor.
Sozinho sofro, sozinho me condeno, sozinho vivo o desespero pela espera desse dia redentor.
Condeno a pessoa que não fui e aquela que serei.
Julgo cada ação com despeito à inação das minhas atitudes, reflexos dessa pequenez amiúde.
Cada pulo de felicidade é uma gota nesse mar de angústias, rescaldo das vivências neste lugar desnudo.
Serei eu aquele que anseia pelo barqueiro?
Ou antes, uma cara que esconde o que o número da besta espelha?
Vivendo cada sopro no sufoco de mais um dia?
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