DIÁRIO DE UMA NOITE MAL SERVIDA
A noite traz um embrulho estranho
De pranto agonia e brutalidade feito
Incerto travo de angústia
E esse apelo ao sombrio e ao feio
Como toda danação que vinga.
A noite não é de lua cheia mas vingada
Lua, lua azul disformando a sombra do mar
Da lua a sombra disforma
O chão
O solo
A pedra que geme e rola
Nas cinzas do tempo autodestruído.
A noite perpetra-se em si mesma
Como um político se perfaz no mal fazer
Fazendo-se mau e bem perdido
Desejando jamais ser encontrado
No rastro dos sapatos 40.
Esse não-dormir dormindo
esse não-acordar despertando
tantas e tantas vezes circulares
faz a noite mal servida
do descanso e dos sonhos
continuamente abortados.
Aleluia! O sol nasceu!
Ilha de Itamaracá, 18/fev/2025.
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