SOBRE FRUTAS E SOLIDÃO

 

... Então vieram os cajus e as pitangas;

também vieram pitombas e araçás.

As seriguelas e umbus, os trapiás, 

brotaram depois rasgando o fora da terra.

 

Depois dançaram mangas espadas 

e mangas rosas cheirando a moça-virgem

as carambolas e os manguitos

também ali dançaram

convergindo para o núcleo outonal

abraçados no ciclo das pitangas.

 

Não há laranjas no terreno...

laranjeiras têm espinhos...

Nós somos espinhos

e ardemos a dor da convivência...

Somos transeuntes na dor 

e nas quimeras da febre de agosto.

 

Depois vieram os açaís e os umbus

os juás, os sapotis e muricis

os jambos-roxos e as mangabas

As graviolas logo surgiram

no tempo dos cajás e das pitombas.

 

Penderam sobre o solo 

pinhas, tamarindos, seriguelas

e as jacas encouraçadas de oriente.

Um acre olor dardejando o horizonte

desta cidade manguezina ...

tão cheia de cajus e de pitangas!

 

Ilha de Itamaracá, 07.02.2025.
Iran Gama
 

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