A Pathétique de Tchaikovski
As putas do Bukowski
apreciam um bom
Vivaldi
Seus bêbados,
seus ladrões e
os suicidas
papeiam sobre cavalos,
proseiam sobre Rimbaud
e versam sobre Van Gogh
E até seus assassinos
aumentam o volume
do rádio
quando entoa a
Pathétique!
Agora,
o meu vizinho,
— engenheiro
diplomado pelo MIT,
motorista de um Scénic,
pai de Arthur e
Laura Alice —
reclama que
ler Machado
não passa de uma chatice,
põe no zap
que o Buarque
é veado e
bolchevique,
e arregaça
o som do áudio
quando escuta um
Zé Henrique...
(Queira Deus
que no meu
rádio
jamais toque
a Pathétique!)
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