Ideal
O som que traduz o cheiro de café e o pôr do sol na varanda de domingo
É o mesmo que me impede de ouvir as ondas do meu coração
Essa frequência grave que causa batalhas internas de logomania
Habita em mim esse desejo prolífico de viver
Percorrendo pelas proteínas arrancadas de cicatrizes entreabertas
Entretanto, permaneço estancado em locais que não podem mais me saciar
Sonhando que, talvez, em um lugar utópico
Essa realidade tenha sido vivaz
Mas, ao passar do tempo
Noto que tudo ocorreu de maneira idealizada
E até a porta abrir e tudo virar do avesso
Sentirei saudade de ser eu
Com arquétipos compartilhados de almas má estruturadas
Dogmas perdidos
Dor latente que não tem brecha para expressão
E o coador terminando sem então
Aponta os percalços provocados pela minha inanição
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