Fantasma
Tenho esse buraco no peito
Esse sopro vazio que contorna meu corpo
Como um copo de bar triscado
Lembro - me vagamente do seu cheiro
O que me enlouquece a cabeça, pois era ele que fazia minhas noites parecem menos longas
Gosto de dizer que ainda te tenho
Gosto de dizer que foi um sonho inventado
Uma loucura espatifada
Tu és como um fantasma furioso nas minhas entranhas
Não recordo do teu beijo quente
Nem do seu carinho manhoso
Nem dos olhos de jabuticaba que transportavam minha alma para outro planeta
Gasto toda a ocitocina que habita em mim
Apenas para lembrar de como era o amor
O meu amor por ti, minha pupila dilatada
Tão vasta como um buraco negro
Que só de olhar para você
Tremia me por inteiro
Mas, como filho de meu pai
Irei de ignorar toda a solidão
Buscar outros corpos
Enquanto fico preso à tua alma
Que me confunde e me deixa numa prisão de portas abertas, com as chaves perto das algemas
Deixe - me ir, disse a ti em meu sonho
E, como minha mãe, colocarei culpa até nas estrelas
Por terem feito você tão livre e desapegada de mim
Com o novo amor que tenhas idealizado
Que sofro até então só de pensar em ti
E, por um instante
Pergunto sei o que amei foi você
Ou esse teu jeito estonteante, que me convenceu de que tudo era resolvido com um beijo lento e bem distante de despedida