melo

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n. 2010

escrevendo poesias enquanto tento desvendar o mistério de minha alma

n. 2010 , Minas Gerais, Brasil

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Fantasma

Tenho esse buraco no peito

Esse sopro vazio que contorna meu corpo

Como um copo de bar triscado

Lembro - me vagamente do seu cheiro

O que me enlouquece a cabeça, pois era ele que fazia minhas noites parecem menos longas

Gosto de dizer que ainda te tenho

Gosto de dizer que foi um sonho inventado

Uma loucura espatifada

Tu és como um fantasma furioso nas minhas entranhas

Não recordo do teu beijo quente

Nem do seu carinho manhoso

Nem dos olhos de jabuticaba que transportavam minha alma para outro planeta

Gasto toda a ocitocina que habita em mim

Apenas para lembrar de como era o amor

O meu amor por ti, minha pupila dilatada

Tão vasta como um buraco negro

Que só de olhar para você

Tremia me por inteiro

Mas, como filho de meu pai

Irei de ignorar toda a solidão

Buscar outros corpos

Enquanto fico preso à tua alma

Que me confunde e me deixa numa prisão de portas abertas, com as chaves perto das algemas

Deixe - me ir, disse a ti em meu sonho

E, como minha mãe, colocarei culpa até nas estrelas

Por terem feito você tão livre e desapegada de mim

Com o novo amor que tenhas idealizado

Que sofro até então só de pensar em ti

E, por um instante

Pergunto sei o que amei foi você

Ou esse teu jeito estonteante, que me convenceu de que tudo era resolvido com um beijo lento e bem distante de despedida

 

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Poemas

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Ideal

O som que traduz o cheiro de café e o pôr do sol na varanda de domingo 
É o mesmo que me impede de ouvir as ondas do meu coração 
Essa frequência grave que causa batalhas internas de logomania 
Habita em mim esse desejo prolífico de viver 
Percorrendo pelas proteínas arrancadas de cicatrizes entreabertas 
Entretanto, permaneço estancado em locais que não podem mais me saciar 
Sonhando que, talvez, em um lugar utópico 
Essa realidade tenha sido vivaz 
Mas, ao passar do tempo
Noto que tudo ocorreu de maneira idealizada 
E até a porta abrir e tudo virar do avesso 
Sentirei saudade de ser eu 
Com arquétipos compartilhados de almas má estruturadas 
Dogmas perdidos 
Dor latente que não tem brecha para expressão 
E o coador terminando sem então 
Aponta os percalços provocados pela minha inanição 

3

Máscara

A melancolia é a verdade absoluta da máscara social que cobre meu corpo 
Ficando impregnada como cicatrizes quentes e sem respaldo 
Habita em mim, esse desejo profundo de redenção íntima 
Que abrange cada pensamento único, devidamente extenso, de noites em claro 
Dos dias de veraneio e ainda de trovões que, grudam na pele, entram profundamente em minhas entranhas 
O desconforto persiste ao meu redor, nutrindo meu riso 
Fazendo me deslocar da realidade com essa falsa sensação de esperança 
Estou sempre lutando contra mim mesma, perdida nessas mesmas vielas

2

O seu nome

Quando me perguntam o que é o amor
Respondo lhes o teu nome
Tu és minha única amostra do amor, da paixão incontrolável, do fogo que aquece meus órgãos em decomposição, da fuga da realidade
Entretanto, não conheço o amor
Conheço você, seu toque, seus sonhos, medos, beleza, beijos, gostos, família, amigos
Você
Conhecer você é conhecer o amor
Mesmo sendo uma incógnita da sociedade atual, onde os que amam são loucos
Será você um delírio contagioso da minha imaginação?
Todas as esquinas conhecem o seu nome
As estrelas conhecem o seu nome
Meus pais conhecem o seu nome
O vento conhece o seu nome
Até quem nunca me conheceu conhece o seu nome
Sem você, não há amor, há ilusão
Todos precisariam de você e do teu nome para saber o que é o amor
Felizmente, sorte minha
Teu nome ecoa pelo vazio do meu peito, preenchendo sozinho ao ouvir o seu nome
Pensar em ti, sonhar com teus cabelos
Teus olhos castanhos escuros que abrem uma dimensão fisicamente duvidosa como criar um buraco de minhoca ao ouvir o seu nome
Teus gestos simples, porém divinos
Fazem me ter certeza pelo o que vivo
O que sinto, respiro, transcendendo
Enquanto tiver sorte, terei amor
Enquanto amarei, terei você

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Fantasma

Tenho esse buraco no peito

Esse sopro vazio que contorna meu corpo

Como um copo de bar triscado

Lembro - me vagamente do seu cheiro

O que me enlouquece a cabeça, pois era ele que fazia minhas noites parecem menos longas

Gosto de dizer que ainda te tenho

Gosto de dizer que foi um sonho inventado

Uma loucura espatifada

Tu és como um fantasma furioso nas minhas entranhas

Não recordo do teu beijo quente

Nem do seu carinho manhoso

Nem dos olhos de jabuticaba que transportavam minha alma para outro planeta

Gasto toda a ocitocina que habita em mim

Apenas para lembrar de como era o amor

O meu amor por ti, minha pupila dilatada

Tão vasta como um buraco negro

Que só de olhar para você

Tremia me por inteiro

Mas, como filho de meu pai

Irei de ignorar toda a solidão

Buscar outros corpos

Enquanto fico preso à tua alma

Que me confunde e me deixa numa prisão de portas abertas, com as chaves perto das algemas

Deixe - me ir, disse a ti em meu sonho

E, como minha mãe, colocarei culpa até nas estrelas

Por terem feito você tão livre e desapegada de mim

Com o novo amor que tenhas idealizado

Que sofro até então só de pensar em ti

E, por um instante

Pergunto sei o que amei foi você

Ou esse teu jeito estonteante, que me convenceu de que tudo era resolvido com um beijo lento e bem distante de despedida

 

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