O eco enfraquecia,

Não que antes tivesse alcançado algo.

A pressão da água nos tímpanos

Sentencia: é o fim.

“Eco! Se afogue junto comigo!”

Narciso poderia dizer;

Se não fosse Narciso.

Ainda assim, Eco se afogou.

Já não sabia mais o que ecoar,

Já vinha esmaecendo pouco a pouco

Nessa sua doação inglória

Para o outro, sempre o outro.

Agora,

Ficou sem o outro para se basear,

Morreu desvalida.

...

Em matas densas,

Ainda é possível ouvi-la.

A mais célebre alma penada,

Reverberando a voz dos aventureiros,

Sempre indigente.

Até mesmo após a morte.

* Todos os direitos reservados.
José Roberto dos santos | @_robsings
https://zonasliminares.substack.com/

 

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