José Roberto dos Santos

José Roberto dos Santos

n. 1992

Um profissional de TI, estudante de psicologia, sem sorte no amor. Autor do livro e do blog Zonas Liminares.

n. 1992 , Brasil, São Paulo

Perfil
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A razão dos ecos

O eco enfraquecia,

Não que antes tivesse alcançado algo.

A pressão da água nos tímpanos

Sentencia: é o fim.

“Eco! Se afogue junto comigo!”

Narciso poderia dizer;

Se não fosse Narciso.

Ainda assim, Eco se afogou.

Já não sabia mais o que ecoar,

Já vinha esmaecendo pouco a pouco

Nessa sua doação inglória

Para o outro, sempre o outro.

Agora,

Ficou sem o outro para se basear,

Morreu desvalida.

...

Em matas densas,

Ainda é possível ouvi-la.

A mais célebre alma penada,

Reverberando a voz dos aventureiros,

Sempre indigente.

Até mesmo após a morte.

* Todos os direitos reservados.
José Roberto dos santos | @_robsings
https://zonasliminares.substack.com/

 

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Poemas

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A razão dos ecos

O eco enfraquecia,

Não que antes tivesse alcançado algo.

A pressão da água nos tímpanos

Sentencia: é o fim.

“Eco! Se afogue junto comigo!”

Narciso poderia dizer;

Se não fosse Narciso.

Ainda assim, Eco se afogou.

Já não sabia mais o que ecoar,

Já vinha esmaecendo pouco a pouco

Nessa sua doação inglória

Para o outro, sempre o outro.

Agora,

Ficou sem o outro para se basear,

Morreu desvalida.

...

Em matas densas,

Ainda é possível ouvi-la.

A mais célebre alma penada,

Reverberando a voz dos aventureiros,

Sempre indigente.

Até mesmo após a morte.

* Todos os direitos reservados.
José Roberto dos santos | @_robsings
https://zonasliminares.substack.com/

 

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Fogo: Da fagulha e cultivo

Há algo no fogo

que agita seus dentros.

Algo fundamental,

elemental.

Ecos primitivos.

Anamneses fossilizados.

Inscritos em rupestre e/ou cuneiforme,

no mais profundo do nosso âmago.

Ainda que soterrado,

seu cérebro reptiliano ainda tem

aquele rolo de fita magnética em preto e branco

dos causos de seu tatatatatatatata…tataravô.

Aqueles que, quando jovem,

lhe capturavam a atenção ante a fogueira.

A brava luta contra um tigre na savana;

a emboscada contra um mamute duro na queda;

ou como a tribo sobreviveu ao ataque surpresa

de uma tribo inimiga, em uma fatídica noite.

Há sempre algo de familiar no fogo.

Talvez isso se deva ao seu caráter duplo.

E o duplo, se sabe, reverbera conosco

sempre a níveis profundos, irremediáveis.

Isqueiros, caixas de fósforo e fogareiros elétricos

nos tiraram a trabalhosa e prazerosa arte

de se iniciar o fogo.

Não se busca mais faíscas,

pois podemos simplesmente acioná-las

através de algum dispositivo.

Quedas de energia e até mesmo blackouts

viraram nossos grandes momentos.

Eis, então, o momento para o restabelecimento de laços,

o momento para as conversas necessárias,

para ver o que se sobra quando smartphones e televisores

param de ocupar nossos vazios.

Eis a hora de se virar.

Gastar duas caixas de fósforos

e meio litro de álcool,

a fim de trazer uma sobrevida

à fagulha restante.

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