(COLETÂNEA "ALMA LATINA", 7)


ESTRANHEZAS


Sigo a sul

para encontrar o norte.

 

Movo-me no centro

e perco-me nos enredos.

 

Mapeio com os dedos

o caminho por abrir.

 

Cada vez mais perdido,

apelo a outro sentido,

 

perguntando com a língua

onde se sente o mar.

 

Responde Afrodite:

que há a sul o limite,

 

ao ver os olhos

cerrarem-se de prazer,

 

entre salpicos

e ondas a subirem

 

e o mar sempre pronto

a acolhê-las.

José António de Carvalho
 
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