Lista de Poemas

VERMOIM, MINHA TERRA

(Coletânea HORIZONTES DA POESIA XII - 2020)


VERMOIM, MINHA TERRA

 
Se vejo os teus mil cantos, minha terra
Se em cada canto os teus encantos mil
Mais encantos ainda este olhar descerra
Por causa deste olhar cego e febril.

Quando o sol lança os raios sobre ti
Todo o esplendor te salta do rosto
Nos olhos tens um verde que sorri
Em fortes tons de quente e doce agosto. 

Vestes roupa de nova primavera
Do tempo pendurado na memória
Onde o povo levanta a tua história.

Inspiras o poeta na quimera
De escrever a beleza que não altera
O rumo do seu sonho: A tua glória!

José António de Carvalho, 21-julho-2019
2 755

POR FAVOR

(Coletânea HORIZONTES DE POESIA XIII - 2021)

POR FAVOR

Ouve-me neste momento
que me sinto perdido
entre as brechas da vida
e um luar entristecido
no frio do esquecimento.

Deita-te na margem do rio
a ver o céu azul de seda
em ti debruçado a beijar-te
doce e imensa vereda
que nunca sente o frio.

Oh, como quero abraçar-te
para me tirar deste sono
e ser novamente estio
matando este outono
que me impede de sonhar-te.

José António de Carvalho, 09-outubro-2019
1 779

A POESIA

(Antologia ALMA LATINA 2021)


A POESIA
 
Com as palavras
tocas-me o cerne
a corola e os estames,
o âmago do ser.

Esbracejo para me libertar…
da camisa de forças
que amarra em nós por dentro.

Quero ser livre…
livre de voar em ti
num voo picado e veloz
entre as tuas duas nuvens,

os teus cúmulos e estratos
e pensamentos de granizo
feitos de ventos tempestuosos

para me perder em volúpia
na copiosa chuva
dos meus sonhos abstratos.

José António de Carvalho, 04-janeiro-2020
2 592

FELICIDADE

Coletânea UM GESTO... APENAS UM GESTO!
(HORIZONTES DA POESIA)



FELICIDADE


Veste-te de brava roseira,
De andorinha leve e franzina,
De espiga colhida e ceifeira,
E de seara pequenina.

Vestes a noite com o dia,
O dourado do sol que vai…
Roubas aos astros a harmonia,
O brilho que da estrela sai.

Irrompes do rio e do mar,
Do lugar mais exuberante,
Como quem vem a velejar
Na pele duma onda gigante.

Que encanto para a minha vida
Que se levanta dos escombros,
E entre a folhagem esquecida
Repousa leve nos meus ombros.

José António de Carvalho, 18-agosto-2021
781

CABE NUM DIA

(Coletânea "LIVRO ABERTO" - 2024)

CABE NUM DIA 

Cabe num dia,
cabe na mão,
os olhos da madrugada
que o sonho pedia.
O sol das manhãs
em dias de verão,
bem alto a sorrir
no pulsar do coração.

Os lábios da tarde
abrem-se sorrindo
num rio sem destino
lentamente a descer
como plumas de aves
num arco-íris lindo;
não se vendo mais nada
que não seja o entardecer.

A noite em doce rosto
rouba ao crepúsculo
o néctar da alucinação
num calor de agosto,
de lava a queimar
que a noite não refresca,
querendo fugir
mas deixando-se ver,
deixando-se amar
com a lua a beber
contornos de luz
para voltar a viver,
e adormecer…

José António de Carvalho, 19-janeiro-2024

728

TERRA LAVRADA

(Antologia PALAVRAS PARA A HISTÓRIA - Gerábriga - Associação Cultural)

TERRA LAVRADA


Canto a magia do amor
de tudo que é natural e belo.

Canto o quente e húmido respirar
naquele voltar de si escaldante,
no enrolar selvagem e louco,
em voltas irreais e alucinadas.

 E sente um prazer ardente 
quando recebe nova semente.

Tão grande é o poder da terra
que acorda para novo ciclo
expondo o seu fértil ventre 
a tão desejado regresso.

José António de Carvalho, 17-maio-2021
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A MARIA TERESA HORTA

<Coletânea - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES»

A MARIA TERESA HORTA (N: 20-05-1937; M: 04-02-2025)

Os teus poemas
são cheias de rio
no calor dos verões.

São espadas em punho
erguidas à intensa luz
do sol do mês de junho.

São a pele do corpo
o sangue, a carne
a voracidade das palavras.

São espelhos da mente
de uma alma condizente
na encruzilhada das estradas.

São os vetores da ligação
do prazer e do coração
de quem não é cobarde, 

fenómenos de paixão

em tempo de repressão 
da poesia que arde


e seiva penetrante
de poema inebriante
no final de qualquer tarde.

José António de Carvalho, 05-fevereiro-2025

 

630

INEVITABILIDADES

(Coletânea SOMOS HORIZONTES DA POESIA I)

INEVITABILIDADES

Hoje construo menos do que antes,
idealizo mais e mais perfeito.
Os meus olhos só veem flagrantes.
Ver mal até deixa de ser defeito.

Voltado para a minúcia das coisas,
só quero ver o que apenas sinto,
e só sinto o que mais me conforta.
Tudo o resto, de pouco me importa.

Fecho os olhos e vejo a natureza,
que vai definhando, e quase morta,
mesmo assim se veste da maior beleza:
naquelas flores que me batem à porta,
que abro sempre, e sempre mais feliz,
deitando ao vento cinzenta tristeza.

Os dias passam e continuo aprendiz
de tudo, e do que se diz e se faz;
na calma da alma fico a pensar…
Depois, lá me atrevo e escrevo,
neste meu caminho sobre o mar.

José António de Carvalho, 19-junho-2023

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NOITE



E é na noite que bebo as maiores e doces poções de amor
onde se misturam sabores de suculentos frutos.

E cresce a fome de primaveras seguidas de verões
em tempestades de relâmpagos e apagões.

Fantasias que jorram do meu peito
como lava em chamas que sai dos vulcões.

E assim são os meus tempos de céu…
Sinto o meu desejo latejar tão perto do teu.

José António de Carvalho, 18-setembro-2019 (Nova versão em 15-setembro-2020)
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CANTO AOS TEUS OLHOS

Coletânea - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - 2023)

CANTO AOS TEUS OLHOS


Nos teus olhos,
Perco-me e encontro-me,
revisito-me por dentro,
revolvo-me na cama,
entro no teu mundo,
sou cometa em chama.

Nos teus olhos,
penetro as nuvens
que se vão dissipando,
entro no céu
que me dás,
e que sinto,
de vez em quando…

José António de Carvalho, 24-fevereiro-2023
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Comentários (23)

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José António de Carvalho
José António de Carvalho

Agradeço a todos que queiram ler e comentem os poemas. Agradeço também aqueles que apenas lerem. Obrigado!

Muito obrigado, estimado amigo das letras Ademir Zanotelli! Bom fim de semana! Um grande abraço.

Muito belo , teu texto poético , principalmente cuidaras do amor , pois este jamais morrerá! abraços na tua longa jornada de poetar.

Muito obrigado pela consideração e comentário, estimado amigo poeta Ademir Zanotelli! Um grande abraço.

Meu caro amigo... e grande poeta, muito obrigado por me visitar... e ao mesmo tempo o teu poema está seguro, pois o mesmo é um caminho para a luz de sua vida. parabéns .

José António Ribeiro de Carvalho, nasceu a 26 de janeiro de 1964, na freguesia de Vermoim, Concelho de Vila Nova de Famalicão, onde reside.

Cresceu num meio rural e de pessoas simples, numa família de seis irmãos, e tem dois filhos.

Sempre teve gosto pela escrita, todavia esse facto trouxera-lhe alguns dissabores ao nível da disciplina de português, pela liberdade de escrita e interpretação que reclamava.

Escreveu artigos para os jornais locais “Cidade Hoje” e “Repórter Local”. Também teve comentários seus citados publicados na RTP3 (Televisão pública).

Em outubro de 2018 editou o livro de poesia (e fotografia) “Sente, Logo Vives e Sonhas”, através da Editora Chiado.
Em Maio de 2025 editou o seu segundo livro. Um Conto Infantojuvenil "O PATINHO JIMI", através da Editorial NOVEMBRO, Edições Cão Menor.

Já participou em mais de cinco dezenas de Coletâneas e Antologias poéticas e contos, com destaque para as da Editora Chiado (mais de dez), também da Mimos e Livros, Livro Aberto - Rádio Voz de Alenquer, Poetas d’hoje - Grupo de Poetas da Beira-ria (Aveiro), Alma Latina, Horizontes da Poesia, Amantes da Poesia e das Artes (In-Finita). Também nas Antologias de Natal - Solar de Poetas (e-book).

Manteve ao longo dos últimos anos participações ativas em inúmeras iniciativas literárias, sejam concursos, homenagens, comemorações, ou tão somente com o único motivo de levar a poesia às pessoas, destacando-se o programa “Livro Aberto” (RVA), programa “As Nossas Raízes” (RCH), Rádio Horizontes da Poesia, Expoética - Braga, eventos online, entrevistas a rádios e jornais (Rádio Cidade Hoje, Rádio Vizela, Rádio Limite, Rádio Popular FM (Pinhal Novo), Rádio Voz de Alenquer, etc...

Entende que “a poesia deve ser livre de voar”, dando-lhe asas no seu Blog (https://joseanricarvalho.blogspot.com/), na página do Facebook (https://www.facebook.com/JAdeCarvalho.JAC/), no canal do YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCo9DH4XVhOl2Vewf1x3tzJw).

Aproveita este espaço para dar um abraço e demonstrar a sua gratidão a todos aqueles que dedicam algum tempo aos seus poemas, independentemente do meio como o fazem.