Lista de Poemas

CARTA DE AMOR

(Coletânea "LIVRO ABERTO" - 2024)


Ah meu amor,

A música que me vibra nas veias tempera o sangue tomado pelo amor que se soergueu bem alto dentro de mim, sulca-me a alma às profundezas do mar e lança-me no tempo da leveza, como o pássaro que se aventura na liberdade do voo ao abandonar o calor do ninho para sentir o prazer de sorver todo o perfume da primavera.

Como é bom. Como é bom… voltar a estremecer inseguro pela aproximação da força crescente do magnetismo que me aspira o espírito, sentir o cheiro da terra quente acabada de ser lavrada em pleno abril, abrir os olhos e lavá-los nas lágrimas de felicidade de um sorriso depois de te beijar.

José António de Carvalho, 04-fevereiro-2024




 

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ORLA DO SORRISO

(Coletânea - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - 2023)

ORLA DO SORRISO


Nos teus lábios é que nasce o sol,
Onde sossega o suspiro da ânsia,
Onde fogem os barcos no vento
E se enrolam as velas do naufrágio.

Neles tudo é quente e frágil,
Como pétalas de rosas no vento.

Neles perfuro a terra húmida,
Seguro o calor com os dedos
Onde irrompem tempestades
Que derrubam os meus fortes.

Deixo-me ir pelo caminho do sol,
Onde o sossego é mais que ilusão
Com línguas de fogo a tocarem céus
Num alucinante ritmo do coração.

José António de Carvalho, 13-novembro-2022
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REVELAÇÃO MAIOR

(Coletânea - HORIZONTES DA POESIA - 2023)

REVELAÇÃO MAIOR


Na aproximação ao teu corpo
sinto o calor da estrada,
longa e sossegada,
sob um sol abrasador.

Nas bermas os lírios
erguendo os olhos ao sol,
extasiados e em delírios,
da seiva a subir o caule.

Qualquer flor quererá
abrir-se ante o calor
que a aproximação trará
a um coração pleno de amor.

Grito-te agora calado
p’las despensas dos dedos
ágeis, voando pelo teclado
ao revelar meus segredos.

 José António de Carvalho, 09-fevereiro-2023
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A NOSSA ACRÓPOLE

(Antologia ÉVORA POESIA - ICE)


A NOSSA ACRÓPOLE
 
Sonho-te em bravos verões
Com aura celestial
Abrindo em par os portões.
Dos sinos dos carrilhões
Soam hinos a Portugal.

 Património mundial,
História por ter nascido
Bem antes de Portugal,
E de forma bem plural
Nele tanto ter crescido.

Tão grande é a nobreza,
Um vulto da nossa história,
Tal é a sua riqueza
Onde passou a realeza,
E nós cantámo-la em glória.

 José António de Carvalho, maio 2021 

(Poema da minha participação na Coletânea "Évora Poesia" (agosto, 2021), numa iniciativa do Instituto Cultural de Évora)
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TU, MULHER…

(Coletânea -  HORIZONTES DA POESIA XIV)

TU, MULHER…
 
És margem direita,
rio e foz,
estuário com voz,
corrente afoita.
 
És delírio e proeza,
corpo cinzelado
p’los dedos moldado,
princípio da natureza.

És fogo e estio,
balada inocente,
Sol brando poente,
vela de navio.

És noite e dia,
também, sol nascente,
ângulo de diamante
a refletir alegria.

Parabéns!…
É sempre teu dia!!!!

José António de Carvalho, 08-março-2022
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QUANTAS VEZES

(Antologia PALAVRAS PARA A HISTÓRIA - Gerábriga - Associação Cultural)

QUANTAS VEZES


Quantas vezes te disse,
vamos falar de nós.

Como se desconhecêssemos
porque é que a terra
tem de ser lavrada,

porque é que a rede do pescador
tem de ser remendada,

e as pontas dos fios
que se partem no tear
têm de ser unidas e atadas.

E nós sabemos que a casas,
que se fragilizam no tempo,
são reféns de nova visão 
e de mãos sábias e recuperadoras.

E nós sabemos do desespero
de uma planta no seco verão,

é como se tivesse ferida aberta
a esvair-se de sangue
no seu depauperado coração.

José António de Carvalho, 13-setembro-2020
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ASA DE ABRIL

(Coletânea SOMOS LIBERDADE - 2022 - RVA)

ASA DE ABRIL 


Pega numa flor, num cravo, ou rosa;
vê o filme do mundo, lê a prosa,
desse sonho a esvoaçar de verdade. 
Ergue-te bem alto ó Liberdade!

Desenrola-te e perde o medo.
Deixa de ser um ideal, um segredo,
que nos flameja só por dentro.
Atinge-nos com o teu olhar atento!

Passeia-te neste mundo distraído
que explora e mata, sem ser punido,
como se fosse uma lúgubre savana,
em que o mais forte o fraco engana.
Isso é o terror vestido de modernidade…
Ergue-te bem alto ó Liberdade!

E não há maior traição que nos sirvam
do que a fome que a tantos obrigam,
e o roubo do suor a outros tantos
por aqueles que passam por “santos”.

E desse Abril só ficou a quimera,
e a beleza de cada nova Primavera,
que sempre nos traz brilho e cor,
que nos permite gritar com fervor:
- Ergue-te bem alto, ó Liberdade!!!

 José António de Carvalho, 10-abril-2022
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O PEITO

(Coletânea LIVRO ABERTO - RVA - 2022)

O PEITO

 
É onde cai a formosura
das pétalas das flores
que subtilmente
vão descendo das árvores.

É onde se sossega o sussurro
e se cala o soluço
por entre o calor do afago
dum paraíso campestre
que adormece os deuses.

É onde se faz voar o sonho
que alimenta todo o corpo,
para crescerem asas de outro voo.

É onde repousa o decote
na dormência da alma,
e se ancora o espírito
na impetuosidade dos lábios
de subirem os degraus 
para uma outra dimensão:

É a morada do coração!...


José António de Carvalho, 28-fevereiro-2022
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TEMPO DE UM ABRAÇO

(Antologia PALAVRAS PARA A HISTÓRIA - Gerábriga - Associação Cultural)

TEMPO DE UM ABRAÇO


O teu olhar será sempre doce,
mesmo quando tapas os olhos
pensando que escondes a alma.

Mas leio-te profundamente
no intenso azul do mar.

E bebo palavras da tua boca,
saciando-me em enredos
de conquista dos teus lábios.

E devolvo-me ao sonho,
numa entrega voluntária,
atado nas cordas dos braços,
num abraço que dilui o tempo.

E permaneço…
Permanecemos,
abraçados
a sentir a leveza do vento.

José António de Carvalho, 17-maio-2021
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OLHARES A CORES

(Coletânea INVISÍVEIS OLHARES - RVA)

OLHARES A CORES

 
Imagino a vida a cores
Pintada suavemente
Pelos dedos voadores
Que percebem fielmente
A razão dos pormenores.

Olho longe, sempre em frente,  
Abraço as nuvens, e a luz
Que o Sol dá a toda a gente,
A quem me guia e conduz
No respeito mais silente.

Ouço o romance das flores,
Vejo a mudez das nações,
Mordo a fome, calo horrores,
Surdas notas das canções.

Vejo tudo. E do que vejo,
Sendo pouco mais que nada,
É bem mais do que o desejo
De nascer na madrugada.

O poema será um livro;
Um livro livre de medos,
Um coração livre e vivo,
Frágil barco destemido
Guiado pelos meus dedos.

 José António de Carvalho, 30-junho-2022


In, Coletânea "Invísiveis Olhares - 2022", organizada por Ana Coelho, com o apoio da RVA. Os lucros reverteram a favor da Associação Cabra Cega (Associação de apoio aos invisuais).
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Comentários (23)

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José António de Carvalho
José António de Carvalho

Agradeço a todos que queiram ler e comentem os poemas. Agradeço também aqueles que apenas lerem. Obrigado!

Muito obrigado, estimado amigo das letras Ademir Zanotelli! Bom fim de semana! Um grande abraço.

Muito belo , teu texto poético , principalmente cuidaras do amor , pois este jamais morrerá! abraços na tua longa jornada de poetar.

Muito obrigado pela consideração e comentário, estimado amigo poeta Ademir Zanotelli! Um grande abraço.

Meu caro amigo... e grande poeta, muito obrigado por me visitar... e ao mesmo tempo o teu poema está seguro, pois o mesmo é um caminho para a luz de sua vida. parabéns .

José António Ribeiro de Carvalho, nasceu a 26 de janeiro de 1964, na freguesia de Vermoim, Concelho de Vila Nova de Famalicão, onde reside.

Cresceu num meio rural e de pessoas simples, numa família de seis irmãos, e tem dois filhos.

Sempre teve gosto pela escrita, todavia esse facto trouxera-lhe alguns dissabores ao nível da disciplina de português, pela liberdade de escrita e interpretação que reclamava.

Escreveu artigos para os jornais locais “Cidade Hoje” e “Repórter Local”. Também teve comentários seus citados publicados na RTP3 (Televisão pública).

Em outubro de 2018 editou o livro de poesia (e fotografia) “Sente, Logo Vives e Sonhas”, através da Editora Chiado.
Em Maio de 2025 editou o seu segundo livro. Um Conto Infantojuvenil "O PATINHO JIMI", através da Editorial NOVEMBRO, Edições Cão Menor.

Já participou em mais de cinco dezenas de Coletâneas e Antologias poéticas e contos, com destaque para as da Editora Chiado (mais de dez), também da Mimos e Livros, Livro Aberto - Rádio Voz de Alenquer, Poetas d’hoje - Grupo de Poetas da Beira-ria (Aveiro), Alma Latina, Horizontes da Poesia, Amantes da Poesia e das Artes (In-Finita). Também nas Antologias de Natal - Solar de Poetas (e-book).

Manteve ao longo dos últimos anos participações ativas em inúmeras iniciativas literárias, sejam concursos, homenagens, comemorações, ou tão somente com o único motivo de levar a poesia às pessoas, destacando-se o programa “Livro Aberto” (RVA), programa “As Nossas Raízes” (RCH), Rádio Horizontes da Poesia, Expoética - Braga, eventos online, entrevistas a rádios e jornais (Rádio Cidade Hoje, Rádio Vizela, Rádio Limite, Rádio Popular FM (Pinhal Novo), Rádio Voz de Alenquer, etc...

Entende que “a poesia deve ser livre de voar”, dando-lhe asas no seu Blog (https://joseanricarvalho.blogspot.com/), na página do Facebook (https://www.facebook.com/JAdeCarvalho.JAC/), no canal do YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCo9DH4XVhOl2Vewf1x3tzJw).

Aproveita este espaço para dar um abraço e demonstrar a sua gratidão a todos aqueles que dedicam algum tempo aos seus poemas, independentemente do meio como o fazem.