O exagero silencioso da preocupação

Há preocupações
que chegam como visitantes.

Batem à porta,
pedem um instante
e logo seguem caminho.

Outras,
porém,

entram sem pedir licença.

Mudam os móveis da alma,
ocupam o silêncio,
apagam a luz das janelas.

De repente,

o amanhã
torna-se mais pesado
que o hoje.

A mente
coleciona possibilidades,

ensina o coração
a sofrer
por caminhos
que talvez nunca existam.

Cada espera
vira ameaça.

Cada dúvida
transforma-se
em sentença.

E a vida,

que continua acontecendo
no tempo presente,

fica esquecida
enquanto os pensamentos
habitam futuros
que ainda não nasceram.

A preocupação exagerada
não protege.

Apenas antecipa
dores imaginadas,

fazendo o espírito
atravessar
a mesma tempestade
muitas vezes,

mesmo quando
nenhuma nuvem
se aproxima.

Talvez a serenidade
não seja
a ausência de perguntas.

Talvez seja
a escolha silenciosa
de confiar
que nem tudo
precisa ser resolvido
antes da hora.

Porque a vida
costuma encontrar
seu próprio caminho,

e quase sempre

chega mais leve
do que o medo
insistia em contar.

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