As marcas do arrependimento

O arrependimento
não muda o passado.

Mas muda
quem o contempla.

No início,

ele chega
como uma pergunta.

“E se…”

Depois,

transforma-se
em eco.

Repete
as mesmas cenas,

as mesmas palavras,

os mesmos silêncios,

na esperança impossível
de encontrar
um final diferente.

Há marcas
que não nasceram
das feridas,

mas da vontade
de voltar
ao instante
em que tudo
ainda podia ser escolhido.

Entretanto,

a vida
não conhece
o caminho de volta.

Conhece apenas
o caminho adiante.

E é justamente ali,

onde nada mais
pode ser refeito,

que nasce
a possibilidade
de ser diferente.

O arrependimento
só permanece
como prisão

quando se recusa
a aprender.

Porque toda escolha,
até a mais dolorosa,

carrega escondida
uma semente
de compreensão.

Há cicatrizes
que deixam
de ser lembranças
do que foi perdido.

Tornam-se mapas

para que os mesmos passos

não precisem
ser repetidos.

E talvez seja essa
a forma mais silenciosa
de recomeçar:

não apagar
as marcas,

mas permitir
que elas deixem
de doer

e passem,
simplesmente,

a ensinar.

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