Como Ela
Por Dodge Leal
Lá vem ela
Agora é ela
Deve ser ela
Lá vai ela
Outrora foi ela
Não é ela
Sempre ela
Nunca ela
Amanhã ela
Eis que ela
Ainda ela
Quem é ela
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Dodge Leal é um pseudônimo literário e uma presença espectral na poesia contemporânea de língua portuguesa. Nascido sob o signo da transição e criado em ambientes urbanos cinzentos, o autor recusa a exposição pública, permitindo que sua identidade seja definida estritamente pela engenharia de seus versos. Com uma escrita herdeira direta do Concretismo e do Minimalismo Polonês, caracterizada pela eliminação radical do lirismo sentimental e dos excessos adjetivos. Leal trabalha a palavra como matéria física e matemática; seus poemas funcionam como mecanismos de relojoaria onde o tempo não é apenas um tema, mas a força gravitacional que move o texto. A crítica costuma definir sua poética como "uma busca obsessiva pelo ponto zero da linguagem", onde a repetição e a geometria verbal servem para mascarar — ou escancarar — a solidão do observador moderno. "Como Ela" sintetiza perfeitamente sua assinatura estética: a precisão cirúrgica de quem observa o fluxo do mundo.