Até que a vida nos faça florescer
Um pensamento me atravessou e me deixou distante de tudo quando, depois de tantos anos, revi Íris, sua mãe.
Naquele sábado, às 09h10 da manhã, quando a vi, algo dentro de mim mudou.
Foi uma alegria imensa, quase inexplicável. Meus olhos se encheram de vida e, por alguns instantes, parecia que o tempo não havia passado.
Conversamos por horas, até por volta das 14h. Aquelas horas pareceram um presente. Senti-me acolhida, querida e amada, como sempre havia me sentido por ela.
Mas foi depois de me despedir que percebi o que aquele reencontro havia despertado.
Quando entrei no carro, desabei.
Chorei porque sentia falta, muito mais do que imaginava.
Aquela saudade que eu acreditava ter deixado para trás havia apenas permanecido em silêncio.
E então me lembrei de nós.
De quando éramos só nós dois. De quando tínhamos um ao outro por inteiro. E também de sua família, que, de alguma maneira tão bonita, havia se tornado minha também.
Talvez seja por isso que rever Íris tenha despertado tantas coisas.
Ela não trouxe apenas a presença dela.
Trouxe você. Trouxe nós. Trouxe uma parte bonita da minha própria história.
Durante esses três anos, nunca pensei em voltar. Eu havia me convencido de que algumas histórias simplesmente terminam e que era preciso seguir.
E eu segui. Ou, pelo menos, foi isso que pensei durante esses três anos.
Hoje, porém, penso que talvez a nossa história tenha terminado não pela falta de amor, mas pela imaturidade que tínhamos para sustentá-lo.
Havia coisas que poderiam ter sido conversadas, compreendidas e resolvidas. Mas, naquela época, não fomos capazes.
Hoje, você parece mais maduro.
E acredito que eu também.
Pela primeira vez em três anos, uma pergunta voltou a existir dentro de mim:
E se?
Não sei a resposta.
Por isso, hoje, falo com Deus:
“Que seja feita a Tua vontade. Se for para a gente retornar um ao outro, que seja. Se não for, que eu também tenha sabedoria para aceitar.”
Não quero interferir na vida que você construiu. Você está com outra pessoa, e eu desejo, de coração, que vocês sejam felizes.
Então sigo vivendo a minha vida e deixo nas mãos de Deus aquilo que não posso controlar.
Talvez, um dia, a vida nos coloque novamente frente a frente.
Ou talvez sejamos apenas uma lembrança bonita: daquelas que o tempo não apaga, apenas transforma em ternura.
Talvez algumas pessoas passem pela nossa vida e permaneçam. Outras seguem por caminhos diferentes, mas deixam marcas que o tempo não consegue apagar.
Talvez a saudade nem sempre peça que alguém volte.
Às vezes, ela apenas nos lembra que um dia fomos profundamente felizes por termos encontrado aquela pessoa.
E talvez seja isso que eu precise guardar:
não a esperança de um retorno, mas a beleza do que um dia existiu.
Até que a vida, se quiser, nos faça florescer no mesmo lugar outra vez.
Comentários (1)
É recomeço de uma saudade sempre será eterna - principalmente quando se ama e amou - alguém que nunca esquecemos - nos encontros casuais. ademir.