Luiza Gabrielah

Luiza Gabrielah

n. 2003

Sou uma mulher que sente profundamente e transforma em palavras aquilo que nem sempre consegue dizer. Escrevo sobre amor, saudade, despedidas, recomeços e tudo aquilo que permanece quando alguém parte. Talvez eu escreva porque algumas coisas se tornam mais leves quando viram poesia. Aqui, deixo um pouco de mim em cada palavra. 🌙

n. 08/03/2003, Brasil

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Até que a vida nos faça florescer

Um pensamento me atravessou e me deixou distante de tudo quando, depois de tantos anos, revi Íris, sua mãe.


Naquele sábado, às 09h10 da manhã, quando a vi, algo dentro de mim mudou.


Foi uma alegria imensa, quase inexplicável. Meus olhos se encheram de vida e, por alguns instantes, parecia que o tempo não havia passado.


Conversamos por horas, até por volta das 14h. Aquelas horas pareceram um presente. Senti-me acolhida, querida e amada, como sempre havia me sentido por ela.


Mas foi depois de me despedir que percebi o que aquele reencontro havia despertado.


Quando entrei no carro, desabei.


Chorei porque sentia falta, muito mais do que imaginava.


Aquela saudade que eu acreditava ter deixado para trás havia apenas permanecido em silêncio.


E então me lembrei de nós.


De quando éramos só nós dois. De quando tínhamos um ao outro por inteiro. E também de sua família, que, de alguma maneira tão bonita, havia se tornado minha também.


Talvez seja por isso que rever Íris tenha despertado tantas coisas.


Ela não trouxe apenas a presença dela.


Trouxe você. Trouxe nós. Trouxe uma parte bonita da minha própria história.


Durante esses três anos, nunca pensei em voltar. Eu havia me convencido de que algumas histórias simplesmente terminam e que era preciso seguir.


E eu segui. Ou, pelo menos, foi isso que pensei durante esses três anos.


Hoje, porém, penso que talvez a nossa história tenha terminado não pela falta de amor, mas pela imaturidade que tínhamos para sustentá-lo.


Havia coisas que poderiam ter sido conversadas, compreendidas e resolvidas. Mas, naquela época, não fomos capazes.


Hoje, você parece mais maduro.


E acredito que eu também.


Pela primeira vez em três anos, uma pergunta voltou a existir dentro de mim:


E se?


Não sei a resposta.


Por isso, hoje, falo com Deus:


“Que seja feita a Tua vontade. Se for para a gente retornar um ao outro, que seja. Se não for, que eu também tenha sabedoria para aceitar.”


Não quero interferir na vida que você construiu. Você está com outra pessoa, e eu desejo, de coração, que vocês sejam felizes.


Então sigo vivendo a minha vida e deixo nas mãos de Deus aquilo que não posso controlar.


Talvez, um dia, a vida nos coloque novamente frente a frente.


Ou talvez sejamos apenas uma lembrança bonita: daquelas que o tempo não apaga, apenas transforma em ternura.


Talvez algumas pessoas passem pela nossa vida e permaneçam. Outras seguem por caminhos diferentes, mas deixam marcas que o tempo não consegue apagar.


Talvez a saudade nem sempre peça que alguém volte.


Às vezes, ela apenas nos lembra que um dia fomos profundamente felizes por termos encontrado aquela pessoa.


E talvez seja isso que eu precise guardar:


não a esperança de um retorno, mas a beleza do que um dia existiu.


Até que a vida, se quiser, nos faça florescer no mesmo lugar outra vez.

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Poemas

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Até que a vida nos faça florescer

Um pensamento me atravessou e me deixou distante de tudo quando, depois de tantos anos, revi Íris, sua mãe.


Naquele sábado, às 09h10 da manhã, quando a vi, algo dentro de mim mudou.


Foi uma alegria imensa, quase inexplicável. Meus olhos se encheram de vida e, por alguns instantes, parecia que o tempo não havia passado.


Conversamos por horas, até por volta das 14h. Aquelas horas pareceram um presente. Senti-me acolhida, querida e amada, como sempre havia me sentido por ela.


Mas foi depois de me despedir que percebi o que aquele reencontro havia despertado.


Quando entrei no carro, desabei.


Chorei porque sentia falta, muito mais do que imaginava.


Aquela saudade que eu acreditava ter deixado para trás havia apenas permanecido em silêncio.


E então me lembrei de nós.


De quando éramos só nós dois. De quando tínhamos um ao outro por inteiro. E também de sua família, que, de alguma maneira tão bonita, havia se tornado minha também.


Talvez seja por isso que rever Íris tenha despertado tantas coisas.


Ela não trouxe apenas a presença dela.


Trouxe você. Trouxe nós. Trouxe uma parte bonita da minha própria história.


Durante esses três anos, nunca pensei em voltar. Eu havia me convencido de que algumas histórias simplesmente terminam e que era preciso seguir.


E eu segui. Ou, pelo menos, foi isso que pensei durante esses três anos.


Hoje, porém, penso que talvez a nossa história tenha terminado não pela falta de amor, mas pela imaturidade que tínhamos para sustentá-lo.


Havia coisas que poderiam ter sido conversadas, compreendidas e resolvidas. Mas, naquela época, não fomos capazes.


Hoje, você parece mais maduro.


E acredito que eu também.


Pela primeira vez em três anos, uma pergunta voltou a existir dentro de mim:


E se?


Não sei a resposta.


Por isso, hoje, falo com Deus:


“Que seja feita a Tua vontade. Se for para a gente retornar um ao outro, que seja. Se não for, que eu também tenha sabedoria para aceitar.”


Não quero interferir na vida que você construiu. Você está com outra pessoa, e eu desejo, de coração, que vocês sejam felizes.


Então sigo vivendo a minha vida e deixo nas mãos de Deus aquilo que não posso controlar.


Talvez, um dia, a vida nos coloque novamente frente a frente.


Ou talvez sejamos apenas uma lembrança bonita: daquelas que o tempo não apaga, apenas transforma em ternura.


Talvez algumas pessoas passem pela nossa vida e permaneçam. Outras seguem por caminhos diferentes, mas deixam marcas que o tempo não consegue apagar.


Talvez a saudade nem sempre peça que alguém volte.


Às vezes, ela apenas nos lembra que um dia fomos profundamente felizes por termos encontrado aquela pessoa.


E talvez seja isso que eu precise guardar:


não a esperança de um retorno, mas a beleza do que um dia existiu.


Até que a vida, se quiser, nos faça florescer no mesmo lugar outra vez.

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Entre o “Se” e o “Talvez”

Hoje o céu chorou.

 

As nuvens brigaram entre si, formando um extenso mar cinzento de sentimentos: alguns conhecidos, outros sem nome; saudades reprimidas, pensamentos ambíguos e situações que nunca encontraram um fim.

 

Às vezes, a gente é mais tolo do que o próprio tolo, não é?

 

Talvez o burro nem seja tão burro assim. Talvez sejamos nós, humanos, que complicamos aquilo que um dia pareceu simples.

 

Dizem que amar alguém é mais fácil do que ser amado por esse alguém. Durante muito tempo, essa frase permaneceu em mim, principalmente naquele cômodo onde tudo acontece e nada se cala: a minha mente.

 

Existe um momento em que tudo volta à tona. As palavras que não dissemos, os abraços que não demos, as histórias que ficaram pelo caminho.

 

E então aparece aquela pequena palavra, talvez uma das mais cruéis:

 

“Se.

 

Se eu tivesse feito.

 

Se eu tivesse falado.

 

Se eu tivesse ficado.

 

O “se” não muda o passado. Apenas cria futuros que nunca existiram.

 

E então vem a pergunta:

 

Por que não fez?

 

Talvez tivéssemos nossos motivos. Talvez não estivéssemos preparados. Talvez fosse medo.

 

E tudo bem.

 

A gente aprende assim: errando, perdendo, deixando partir.

 

Às vezes, nos culpamos por nossas escolhas, pelo que deixamos passar ou, simplesmente, por termos deixado o nosso grande amor ir embora.

 

E ficam as perguntas:

 

Será que era para acontecer assim?

Será que foi apenas uma forma de aprender?

Será que existe um caminho de volta?

 

Não sei.

 

E talvez seja justamente isso que mais incomoda: não saber.

 

Gostaria de ter ao menos uma prévia do que a vida ainda reserva.

 

Mas talvez não seja necessário saber.

 

Talvez me reste apenas viver, esperar e deixar que o tempo reorganize aquilo que eu já não consigo.

 

Dançar conforme a música toca, mesmo sem conhecer o próximo acorde.

 

Porque, no fim, talvez a vida seja apenas isso:

 

ser, viver, esperar.

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Até que sobreviver deixe de ser apenas existir

Nadar com tubarões, caminhar sobre uma espada ou cravar uma faca no próprio peito dói menos do que se decepcionar com aqueles que deveriam te proteger e te amar.


Sua vida, em vez de ser um refúgio de paz, torna-se um inferno silencioso a cada instante.
Desde muito nova, você aprende a viver em estado de alerta, porque basta uma mudança no ar,
um tom de voz diferente, um pequeno detalhe, para que tudo desabe.


Ser a primogênita tem seus privilégios: ser a primeira em tudo. Mas também significa ser a
primeira a apanhar da vida, e de tudo o que existe ao redor dela.


Conviver com o monstro é muito pior do que apenas saber que ele existe.


O monstro é, metaforicamente, o próprio umbigo: o vínculo que ainda te liga àquele que te deu a
vida, mas que, ao mesmo tempo, também destruiu parte dela.


Carregar uma imensidão de sentimentos, emoções reprimidas, lembranças, visões e sensações é
como alimentar, durante anos, um nó preso na garganta. Um nó que ninguém consegue
enxergar. Um peso que quase ninguém consegue compreender.


Ainda assim, por mais que doa, corte e sangre, enfrentar a dor é mais fácil quando se faz isso
antes que ela termine de te matar por dentro.


É preciso recalcular a rota. Permitir-se curar. Recomeçar quantas vezes forem necessárias, até
que sobreviver deixe de ser apenas existir.

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