Hoje o céu chorou.

 

As nuvens brigaram entre si, formando um extenso mar cinzento de sentimentos: alguns conhecidos, outros sem nome; saudades reprimidas, pensamentos ambíguos e situações que nunca encontraram um fim.

 

Às vezes, a gente é mais tolo do que o próprio tolo, não é?

 

Talvez o burro nem seja tão burro assim. Talvez sejamos nós, humanos, que complicamos aquilo que um dia pareceu simples.

 

Dizem que amar alguém é mais fácil do que ser amado por esse alguém. Durante muito tempo, essa frase permaneceu em mim, principalmente naquele cômodo onde tudo acontece e nada se cala: a minha mente.

 

Existe um momento em que tudo volta à tona. As palavras que não dissemos, os abraços que não demos, as histórias que ficaram pelo caminho.

 

E então aparece aquela pequena palavra, talvez uma das mais cruéis:

 

“Se.

 

Se eu tivesse feito.

 

Se eu tivesse falado.

 

Se eu tivesse ficado.

 

O “se” não muda o passado. Apenas cria futuros que nunca existiram.

 

E então vem a pergunta:

 

Por que não fez?

 

Talvez tivéssemos nossos motivos. Talvez não estivéssemos preparados. Talvez fosse medo.

 

E tudo bem.

 

A gente aprende assim: errando, perdendo, deixando partir.

 

Às vezes, nos culpamos por nossas escolhas, pelo que deixamos passar ou, simplesmente, por termos deixado o nosso grande amor ir embora.

 

E ficam as perguntas:

 

Será que era para acontecer assim?

Será que foi apenas uma forma de aprender?

Será que existe um caminho de volta?

 

Não sei.

 

E talvez seja justamente isso que mais incomoda: não saber.

 

Gostaria de ter ao menos uma prévia do que a vida ainda reserva.

 

Mas talvez não seja necessário saber.

 

Talvez me reste apenas viver, esperar e deixar que o tempo reorganize aquilo que eu já não consigo.

 

Dançar conforme a música toca, mesmo sem conhecer o próximo acorde.

 

Porque, no fim, talvez a vida seja apenas isso:

 

ser, viver, esperar.

11 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.