Ora ora humanos cômicos

Que atrevem-se a criticar as ruas sórdidas

Ruas essas que vós mesmos sujastes

Com a podridão dos vossos atos inescrupulosos

 

Até quando dedicarão-se a praticar tais coisas

Infames vermes

Trogloditas por opção

De mentes mórbidas

E pensamentos caóticos

 

Ah se eu pudesse consertá-los

Faria convosco o que nunca consegui fazer a mim mesmo

Pois sofro dos mesmos males que vos acuso

E por isso peco em incriminá-los com veemência

 

O que cometemos hoje

É uma punição em forma de herança para os nossos descendentes

E o que mais nos machucará

Será vê-los explanarem em duras palavras

Sinônimos e termos arrojados e pesarosos

Quando se referirem a nós

 

Como hábito pertinente à nossa raça

Posso declarar que desde agora

Ouço os clamores descontentes de nós mesmos no futuro

Espantados e traumatizados com tais ações

Daqueles que deviam respeitar-nos

 

Como eles poderiam nos prestar honras caros comparsas

Se não respeitamos a geração deles

E o mundo que construímos para eles

Foi fundamentado em pilares putrefatos

 

Somente nos restará a dor imensurável

Que nos fará expurgar arrependimentos contínuos

Mas como é inerente a nós

A arte de imputar a outros

As nossas falhas

 

É bem provável que tenhamos a ousadia

De postergarmos a culpa

Para a próxima geração

Que débil

Iminentemente poderá cometer a insanidade

De acatar tal culpa

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