A Rotina no Mundo de Cimento
As torres de aço tocam o céu
enquanto o homem caminha no véu
da ilusão diária que o faz esquecer
o verdadeiro motivo de seu viver
O despertador toca a mesma canção
alimentando a engrenagem da ilusão
E assim se vão os anos e os dias
trocando a vida por meras porfias
Nos trens lotados de rostos sem cor
viaja a pressa a angústia e a dor
Ninguém se olha e ninguém quer saber
para onde corre a força do ser
As horas de trabalho consomem a luz
enquanto a rotina carrega a cruz
de uma existência que perdeu o sentido
no meio do asfalto cinzento e ruído
Até que a noite recubra a cidade
e o homem desperte de sua vaidade
pensando se vale a pena esse fardo
de viver o dia sem rumo e sem marco
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