Olhamos a face que o tempo moldou

buscando o jovem que o vento levou

As rugas contam histórias de dor

de perdas de lutas e de falso amor

 

Mas sob a carcaça que o mundo vê

resiste a alma que ainda quer crer

O espelho reflete o corpo cansado

mas nunca o sonho que foi sonhado

 

Julgamos a imagem que está no cristal

esquecendo o ser que é transcendental

A carne desaba e a beleza se vai

enquanto o homem tropeça e cai

 

E nessa busca por juventude vã

perdemos a graça de cada manhã

presos à vaidade que cega a visão

e empobrece o nosso coração

 

Até que os olhos aprendam a ver

que a verdadeira essência de ser

não reside na pele que o tempo desfaz

mas na paz que o espírito traz

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