Os dias dourados da infância passaram

as asas dos sonhos no vento voaram

Restou a saudade daquela inocência

a doce e breve e frágil essência

 

Hoje o peso do mundo nas costas recai

e a gente tropeça e levanta e cai

aprendendo a duras penas que crescer

é perder o encanto para poder viver

 

O tempo da festa cedeu lugar

às obrigações que mandam cobrar

o imposto dos anos é a conta da lida

na dura arena da própria vida

 

Mas mesmo no meio de tanto labor

resta no peito um resquício de amor

a brasa viva que insiste em queimar

e nos lembra o tempo de sonhar

 

Pois a juventude não mora no corpo que passa

mas na alma que guarda a eterna graça

a coragem limpa de quem quer sorrir

e a força bonita de resistir

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