Infinitos de cor pelos olhos filtram-se, cansados
são muitas estrelas onde também vivo,
vivo, sempre vivo, não obstante tudo
a morte sempre presente,
companheira fiel desde o berço
a música também, mas esporádicamente
sem solução para nada mas criando novos problemas
bem-vindos ao meu mundo, que afinal não é meu,
apenas sou um transeunte das sombras,
a beleza morreu para mim,
vejo-a com os olhos mas sinto-a distante,
afinal toda a beleza conduz à mesma loucura,
aquela mulher tão linda com olhos cor do mar onde caravelas se afundam,
seios nacarados a perscrutar orgasmos,
essa mulher traz abismos no olhar, o seu nome é loucura
o mundo tem bem e mal em partes iguais,
apenas o mal é muito mais visível
mas é infinito o bem que ainda persiste...
que estranho projecto este da "humanidade",
deve haver um propósito superior para tudo isto
mas ninguém sabe qual é.
O vento que é viageiro é que nos pode ensinar,
que há, para além do visível ?
que há, para além da vida e da morte ?
que há, de cada lado da loucura,
para lá dos abismos no olhar de uma mulher ?
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