no tempo da floresta
aprendi por muitos anos
e com orgulho
que sou professora
e quando miro um outdoor
através do vidro do automóvel
rápido capto o desvio
ou a construção criativa
para uma aula fora da caixinha
aprendi que preservar o meio ambiente
é garantir vida e saúde das futuras gentes
ser professora me ensinou e me ensina
assim como desensina
quando ignoro
que também não sou professora
e as horas fora de sala
é de um tempo de outrora
que o gigante venceslau pietro pietra
não me vence com seu ritmo industrial
em sua ganância capital
há outro saber que provém da vertigem
das ervas ardentes da mata fechada
os mitos secretos que ecoam
das orelhas da ancestralidade
aprendi com o anti-herói de nossa gente
que a preguiça não é só um estado bom
e sim um processo de transformação
só possível quando se entrega ao sono na rede
ócio criativo dos que dormem e sonham
e sobretudo sabem
que nenhum trabalho forçado ou duro
dignifica o homem que se ausenta
das raízes da alma de sua selva
(kátia surreal: 29/9/2026)
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