se eu ainda tiver voz que seja um grito que transforme
se eu puder ouvir que vibre toda a minha existência
ecoando-se na janela fechada dos que dormem 
sobre o travesseiro da egocentricidade
ou dos que estão entorpecidos na máquina de alienar corações
se eu tiver que sentir que seja da altura de um humano
cujo início da trilha ainda permanece dividido
com os arames farpados da desunião
se eu tiver que olhar
que mire sob a tríplice ótica
condoreira modernista contemporânea
do alto do baixo por entre entranhas
que seja um manifesto poeticamente
declamado em praça pública
com todos os nossos sentidos
na base sólida do amor
se eu ainda estiver viva
mas se já estiver morta
ou se estiver morta
ainda que viva
que esta poesia continue se tecendo
na infinitude de um sonho 
que morre e renasce 
na folha persistente de outubro
(kátia surreal: 29/9/2026)



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