Enxada nas mãos.

Máquinas  de raspar asfalto  brilham
nas serras  - cheias de árvores - de homens
no escurecer , em suas solidões  - suas
roupas em fosforescente luminares .

Todos os faróis  caminham ao seu
encontro... mas existe um homem que
permanece caminhando , entre as
plantas  e suas escuridões.

Ele permanece calado , andando na
beira do asfalto  de betume negro  - que
beijam a terra  com quentura  de muitos
graus , vapores sobem  entre um ar de nuvens.

Nuvens que envolvem teu corpo  e teus ombros -
carregando uma enxada-
que continuam a cavoucar  esta terra ,
tão dura   dão muitos
calos  em tuas frágeis mãos.

Máquinas de cavoucar  o asfalto  carcomidos
por tantos carros  > com seus faróis tão claros - que 
as matas em sua volta  se tornam mortas :
de tantas poeiras e solidões.

Os florais em meios a esta calamidades ,
vão murchando ... murchando... até cair
em uma terra seca  sem mais perdão,
-com uma enxada nas mãos.

Ademir o poeta.


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