A casa
A casa é sua. Entre com o pé esquerdo, tateie com as duas mãos, necessária se faz a leveza no olhar, maciez na fala e nos intentos subjacentes. Abra as janelas, escolha na geladeira, o sofá é algo macio, caso queiras um banho, não há banheira, mas há muita claridade e asseio. Mais tarde tocarei umas canções. Sabes cantar, dedilhar um poema ? Para o almoço farei dois tipos de salada, e maionese completa, supimpa. Ó, o quintal é antigo, ficou e continua na memória, pois não há mais quintal em nenhum lugar da aldeia e talvez nem do mundo. Sente-se, conta-me algo, direi a todos que a memória de Xerazade esteve aqui, contou-me mil e duas delícias durante mil e duas noites, e que doravante eu poderei viver em paz e terminar meus dias numa boa trilha cheia de bons espasmos.
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