Niil
A noite arrasta-me e confunde-me
onde estarei quando não for hoje?
Debaixo da mesma noite, porém diferente
abracada à mesma raiva, mas consciente
deste Ser que se altera e que de Mim foge.
O manto que me envolve é mais lato
sua Alma profunda já não atina
Com a mesmerice de actos e falas
Parei? Voltei`? Regresso às minhas alas
De onde parti, um dia, menina...
Entristece-me o anoitecer de Alma, esse sim
Enfurece-me o vazio que ficou do por fazer,
As palavras por dizer, a vontade de te amar,
Delirio de uma Alma que teima em voltar
E possuir-me, sem forma, na ansia de te ter
Vou ter à praia,a mesma, de seculos de espera
Onde a sombra do que foste me adormeceu
Sobre as ondas do que sinto ao te olhar
Ao te rasgar os silencios que deixaste e te dar
O tudo que te pertence e que outrora foi meu.
De Nada me edifico, niilismo nobre sobre
Um devir curvado às ansias que me vestem
Aqui fico, aterrada, nua, só, agarrada
á tua voz, à palavra inaudivel, sussurrada,
No tunel do meu peito, que ecoa e me sustem.
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