Sinto-te, mas não te penso Ganho-te, ao te perder Sinto-te e não te toco E no pensar demente Sinto-me vagamente Num desejo insaciado morrer....
Vibro, na alucinacão do teu Ser Presente na ausencia de te querer Do meu abandono a tudo Quando nada alimenta a fome Que tenho em te viver.
Penso-te , sem te pensar, Vejo-te, sem te olhar, Sinto-te...
és águia alimentando Um ninho com pardais Gritas na minha voz E da minha Alma sais E negando-te, eu arrisco A sentir-te ainda mais.
836
Niil
A noite arrasta-me e confunde-me onde estarei quando não for hoje? Debaixo da mesma noite, porém diferente abracada à mesma raiva, mas consciente deste Ser que se altera e que de Mim foge.
O manto que me envolve é mais lato sua Alma profunda já não atina Com a mesmerice de actos e falas Parei? Voltei`? Regresso às minhas alas De onde parti, um dia, menina...
Entristece-me o anoitecer de Alma, esse sim Enfurece-me o vazio que ficou do por fazer, As palavras por dizer, a vontade de te amar, Delirio de uma Alma que teima em voltar E possuir-me, sem forma, na ansia de te ter
Vou ter à praia,a mesma, de seculos de espera Onde a sombra do que foste me adormeceu Sobre as ondas do que sinto ao te olhar Ao te rasgar os silencios que deixaste e te dar O tudo que te pertence e que outrora foi meu.
De Nada me edifico, niilismo nobre sobre Um devir curvado às ansias que me vestem Aqui fico, aterrada, nua, só, agarrada á tua voz, à palavra inaudivel, sussurrada, No tunel do meu peito, que ecoa e me sustem.
779
Insanidade
So posso sair da minha isanidade Quando os rio correrem pela vida como torpedos Bebendo do mar as aguas que não suas So poderei sair do abismo desta insanidade Quando segredos dispersos se encontrarem Numa so boca, num so grito E o mundo desabar em Colinas de raiva Entendendo-se no prado vacuo dos meus olhos So poderei compreender a minha insanidade Quando o folego do horizonte me abrir seus bracos E me embalar , como a uma crianca sem segredos E me elevar aos cumes das mais altas esferas E lá te encontrar esperando-me Na tua paciencia quase miraculosa No recheio do teu amor me prostrar So poderei mergulhar na minha insanidade Quando os ceus te abrirem para mim
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Dedicado a Florbela Espanca
Ainda leio, Bela, As páginas só de dor preenchidas As magoas ondeando entontecidas Pelo teu Livro, em Saudade plantado.
Ainda me encontro debrucada Sobre a Oracäo nobre e incompreendida De uma nobre Alma abandonada Aos atritos constantes desta vida.
Livro de magoas, que em mim guardo, Irmã Saudade, minha Irmã, Que, nas profundezas austeras de um cardo Guardavas os sonhos de uma castelã.
Castelã de uma tristeza imensa Que em vida viu espelhar-se A Hora mais tardia e mais densa Junto ao seu túmulo ajoelhar-se.
Desfolhando ínvias torturas Do seu pobre Destino malogrado Lancando o broquel às penúrias De uma outra vida, de um outro Fado.
Ainda me chora a Alma, Bela, Ao penetrar a essência do teu sentir Imaterialidade perfeita na cela Do teu interior a querer fluir.
Essa melancolia desnuda na noite Acariciando teu sonho de nacár Desfolhando roxas violetas - e dói-te A saudade no teu peito a palpitar.
Ai, Bela! Lembro o meu cansaco Quando busco o Impossível...e choro Na disilusão desta forma de aco Que é a vida, na qual páro...e demoro...
Que lagrimas tens chorado, que riso De alucinada floresceu na tua Alma? Que dor te abracou o peito e que juízo Te ignorou na turbulencia da tua calma?
Em busca da Perfeicão: já o eras! Alma perfeita, Una e intangível. Oh, Bela! Será a Alma que porventura deras É esta que eu trago, magnânime e indefinivel?
858
Ser tua!
Queria ser teu tesouro, amor, Tua arca de sonhos e desejos, Tua saudade e indefinida dôr, Teu mundo ilusorio, teus beijos.
Queria ser teu torrão de acucar, Teu album de recordacões e anseios, O lago de tua Alma, nenúfar, Boiando no teu ventre, nos teus veios.
Tua Alma-gémea, tua sombra, Presa ao teu corpo,teu lar, O ar que respiras, penumbra,
Que te alucina e cativa, Tua lua, teu sol, teu mar, Tua unica vontade na vida!
840
InSensatez
Como se a noite baixasse Sobre o meu corpo de agua E o meu riso se tornasse Lagrima, morte e magoa
Como se a noite derramasse Sua dor sobre o meu corpo E o meu olhar ficasse Preso a um sonho morto
Como se a tua voz regressasse á surdez dos meus sentidos Como se o meu íntimo chorasse
Esta hora insensata, esta farsa E tu murmurasses ao meu ouvido Palavras que a voz do Tempo disfarca