Encostado à ombreira da porta

Fumando um cigarro, admiro

A beleza das tuas coisas.

A cadeira onde tu punhas a roupa do dia seguinte

Continua no canto do quarto

Que tu mais gostavas.

Na tua escrivaninha os lápis e as canetas

Continuam espalhados em cima das folhas

Que tu passavas horas a desenhar.

Os teus sapatos ainda estão debaixo da cama

Junto á tua mesinha de cabeceira

à tua espera.

Os quadros que pintaste e que quiseste expô-los

Pela casa, continuam a sorrir como se estivesses aqui.

Sento-me no sofá e espero,

Espero que tu um dia chegues,

E enquanto espero, fumo um cigarro para fazer tempo.

Fazer tempo para que as coisas se alterem

E se mudem de lugar pela mão do tempo.

Tudo continua como tu gostavas,

Tudo se mantém no mesmo lugar

De sempre.

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