M.W.

M.W.

n. 1980 PT PT

n. 1980-09-01

Perfil
1 435 Visualizações

Alguém…



Alguém...

Se fores esse alguém

E me encontrares dentro de uma gaveta

Pega em mim e escreve algo.

Não importo do que escrevas

Simplesmente escreve.

Escreve na minha pele letras

Que formem palavras, palavras

Façam frases e que essas frases

Façam um poema.

E no fim guarda-me dentro da gaveta.

Um dia,

Quando abrires a gaveta

E pegares no poema que escreveste

Emocionar-te-ás com as palavras

Que lá estão. Então, quando uma

Lágrima tua cair no poema, encosta-o

Ao teu coração.



Ler poema completo

Poemas

3

Alguém…



Alguém...

Se fores esse alguém

E me encontrares dentro de uma gaveta

Pega em mim e escreve algo.

Não importo do que escrevas

Simplesmente escreve.

Escreve na minha pele letras

Que formem palavras, palavras

Façam frases e que essas frases

Façam um poema.

E no fim guarda-me dentro da gaveta.

Um dia,

Quando abrires a gaveta

E pegares no poema que escreveste

Emocionar-te-ás com as palavras

Que lá estão. Então, quando uma

Lágrima tua cair no poema, encosta-o

Ao teu coração.



394

Fumando um cigarro



Encostado à ombreira da porta

Fumando um cigarro, admiro

A beleza das tuas coisas.

A cadeira onde tu punhas a roupa do dia seguinte

Continua no canto do quarto

Que tu mais gostavas.

Na tua escrivaninha os lápis e as canetas

Continuam espalhados em cima das folhas

Que tu passavas horas a desenhar.

Os teus sapatos ainda estão debaixo da cama

Junto á tua mesinha de cabeceira

à tua espera.

Os quadros que pintaste e que quiseste expô-los

Pela casa, continuam a sorrir como se estivesses aqui.

Sento-me no sofá e espero,

Espero que tu um dia chegues,

E enquanto espero, fumo um cigarro para fazer tempo.

Fazer tempo para que as coisas se alterem

E se mudem de lugar pela mão do tempo.

Tudo continua como tu gostavas,

Tudo se mantém no mesmo lugar

De sempre.

381

O grito que não ouves



O grito que não ouves

Do sentimento perdido

Abafado pelo relógio,

Esconde nas mãos

Um rosto nu.

Na tristeza acalentada

Deixas-te enfeitiçar pelo

encanto

Dos anos fugidios,

Pelos mórbidos dias

inquietos,

Pelas horas íntimas da

espera.

Fincas-te no sobrado

Gasto pelos dias de vida

perdida.

Das vidraças,

Pressentes o anunciar da

noite

E com ela um sopro de ti.

Deixas-te ficar.

Adormeces com a solidão

Das coisas quietas do

momento,

E respiras a angústia

De mais um dia que virá.
425

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.