Permissão
Eu te permito olhar nos meus olhos
dos cílios até os pés onde a pálpebra tirita doidamente
dos bálsamos que não chegam aos portos
das bátegas ao chão das tardes de angústia...
Eu te permito o teu olhar comprido e virginal
onde as gaivotas pousam no regaço
onde uma rosa tende a cair desesperada
Eu te permito olhar em meus olhos que são calmos
porque agora tudo flui como um rio que corre placidamente ao mar
porque a tua natureza é pura e perto da aurora ainda chora
e teu desejo não trai as lágrimas sentidas pela saudade
e a cor da esperança vive dignamente acesa quando dormes
eu passo a sonhar contigo cerrando meu peito frágil
como tuas palavras que são barcos e me leva para as pedras e corais
e nunca me firo. Nunca sangro. Nunca morro.
E tu és a única rosa púrpura se abrindo para o som das aves quietas,
porque o teu riso espalhou-se pelas sombras ou pela luz,
e os centeios perdidos na terra brilham o colmo e o fruto,
como as águas translúcidas espelham-se o céu visto ao alto,
e porque para ti vão-se todos os seres de minha alma,
ah, eu te amo pelo meu olhar que te ama.
Tiago B.Lyra
in " A lira desgovernada"
dos cílios até os pés onde a pálpebra tirita doidamente
dos bálsamos que não chegam aos portos
das bátegas ao chão das tardes de angústia...
Eu te permito o teu olhar comprido e virginal
onde as gaivotas pousam no regaço
onde uma rosa tende a cair desesperada
Eu te permito olhar em meus olhos que são calmos
porque agora tudo flui como um rio que corre placidamente ao mar
porque a tua natureza é pura e perto da aurora ainda chora
e teu desejo não trai as lágrimas sentidas pela saudade
e a cor da esperança vive dignamente acesa quando dormes
eu passo a sonhar contigo cerrando meu peito frágil
como tuas palavras que são barcos e me leva para as pedras e corais
e nunca me firo. Nunca sangro. Nunca morro.
E tu és a única rosa púrpura se abrindo para o som das aves quietas,
porque o teu riso espalhou-se pelas sombras ou pela luz,
e os centeios perdidos na terra brilham o colmo e o fruto,
como as águas translúcidas espelham-se o céu visto ao alto,
e porque para ti vão-se todos os seres de minha alma,
ah, eu te amo pelo meu olhar que te ama.
Tiago B.Lyra
in " A lira desgovernada"
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