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Admiro os dias cinzentos que me entregam minhas noites escuras. Ouço as canções mais melodiosas e me agrado ao escalar as montanhas mais altas e pontiagudas. Gosto muito de navegar por entre meus mistérios, de roer minhas unhas e de conhecer, de vez em quando, pessoas loucas, consideradas sem muito nexo. Já fiz falsas amizades que tentaram rasgar as folhas em que escrevi e ainda escrevo. Foram muitas as folhas rasgadas até o dia em que descobri que meus rabiscos cabiam em meu espírito e que papel não era o segredo desse ofício.
Nunca me digam que eu não consigo, é quase certo de que irei rir da sua cara__e isso antes mesmo que eu consiga. Não precisa confiar sempre em mim__ deixe isso comigo. Não me venham com promessas de amor, pois eu sei aonde vai dar meu coração. Não precisa aparecer por aqui com um sorriso forçado, você é livre pra não gostar de mim e a recíproca é mais que verdadeira. Não adianta me elogiar demais, foi-se o tempo em que a vaidade me destruia. Não adianta me criticar em excesso, pois eu não acreditarei em só palavra sua. Eu quero muito é viver enquanto estiver vivo. Quero esquecer e pedir pra que ninguém me lembre da vida alheia. Quero aprender tocar mais de 4 músicas no violão ao redor de uma fogueira. E antes de dormir não quero ficar pensando em coisas que já se passaram como se na verdade estivessem ainda e sempre acontecendo.Na verdade acho que todos nós somos um livro com a última página rasgada, justamente aquela do beijo. E alguns consideram esse o final perfeito.
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