albus
comi de vontade as duas tijelas de calma que me obrigaste a engolir sem saberes que me forçavas.
uma de manhã, outra à noite.
como os medicamentos.
houve um branco que me subiu,
que não sei se foi o caldo da incerteza a abanar o meu edifício que eu dizia ser de pedra e cal,
ou se foi uma inundação de paz a tomar conta dos meus poros.
não sei se a paz é branca, como se diz.
mas sei que às vezes é preciso caiarmo-nos de branco por dentro
para voltar a colocar as partículas sacudidas de pó e livres das teias de aranha.
assim parecido com a primeira limpeza grande que se faz na primavera, antes das maias.
limpar, limpar
pintar, pintar
para voltar a vestir
roupa lavada e cachos de flores.
giestas, madressilvas, rosas silvestres.
até os folhados. bem cheirosos e resistentes
que só conheces os maias? não é verdade!
pelas grinaldas com que me enfeitas, percebo bem que sabes das maias.

Jeanloup Sieff
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