O caminho da aceitação tem um limite.
Nem sempre feliz no sentido de amplamente sorridente.
O limite pode ser o estado permanente de quase lágrimas, em que a habilidade é sustê-las.
Porque não se pode andar por aí a provocar inundações. A protecção civil tem mais que fazer.
Porque há que viver o friso de fora.
Quando se toca o limite, e isso entende-se muito bem no friso de dentro, o melhor é segurá-lo.

O mundo anda desvairado para além da guerra. A Matilde já o diz há muito, num poema lindíssimo, em "Fevereiro", mas que serve qualquer mês. "A poesia não salva o mundo. Mas salva o minuto.", ouviu-se na festa de Paraty.
Continuando.
O mundo tem teorias loucas sobre o que se deve sentir. Nem os malucos as percebem.
Uma é igualar a aceitação a fracasso.
Outra é criticar a dificuldade em integrar o que não se pode mudar, ou seja, o continuar na luta.

E tu, e eu... Com um sorriso inacabado, sabemos que após a invenção do chão perdido - não te lembras de dizer que andava à procura de dias com chão? -, sim, após a invenção do chão perdido, os dias passaram a coser-se com fios de ambos os lados. Com fios a formar uma corda oscilante entre os dois pólos. Lutar ou deixar correr com regras, o que não deixa de ser outra luta. Uma corda bamba a que é preciso adaptar os passos de dança. Sempre a conferir o limite entre o amargo e o doce da coreografia.

Há tempos, para caracterizar um estado emotivo, escrevi no caderno que era de quase lágrimas, a expressão que me ocorreu e que me deixou na dúvida se te transmitia tristeza.
Actualmente, que já pensei mais um bom pedaço no assunto, sei que esse quase lágrimas pode ser o limite da estabilidade possível de agarrar num poço de tristeza. Como se fora um lastro de felicidade.

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