Vazia, a cama espelha o peito daquele amante

que antes dançava em par, agora queda distante

e de dor se vestiu tão grave



Macia, a carne cálida do corpo nu de sua amada

que antes entretecida à sua, agora fez-se alada

e de amor se tornou entrave



Noite alta vaza a alma quase inválida, naquele instante

querela muda clama ávida a presença pálida de sua dama

é sua imagem este reflexo, naquele espelho sobre a cama?

ou mero eco, vago e oco, de estrela morta ainda brilhante?



Por hora o amante inquieto chora, o mínimo vestígio de seu amor

serão dela aqueles olhos, lendo Pessoa, refletidos na janela daquele vagão?

será sua aquela imagem rouca, que espelha louca as quimeras do coração?

incógnito o reflexo no espelho, do amante que tão grave, se vestiu de dor.

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Comentários (2)

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2012-08-01

UM POETA ROMÁNTICO , JOVEM QUE DESCREVE SENTIMENTOS TÃO BEM MERECE APLAUSOS.

2012-08-01

Refletiu muito bem nos dando a chance de vagar por seu poema e nele encontrei as asas da imaginação nos dando carona para que nele pudéssemos também voar.Parabéns