Tudo aquilo que calo
Vejo de maneira cega,
e tudo que vejo me cega dessa mesma maneira;
vendo, nos olhos, toda minha cegueira,
que não enxergo, por mais que eu mesmo veja;
ouvindo
o silêncio que vem vindo
de forma bem barulhenta;
que por mais absurdo que seja,
fico mais surdo,
pois cada vez mais o silêncio aumenta.
E, quando falo,
não deixo de estar calado;
deixando, também, falado,
que tudo que bem falo é tudo aquilo que calo;
ou, sobretudo,
digo, exatamente, tudo;
enfim, consigo responder,
mesmo ficando, totalmente, mudo.
Isso já é tudo que preciso para dizer.
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