A mais pura miséria
Miséria,
entalada na garganta,
que não enche a barriga, no fundo do prato,
no almoço, na janta.
Miséria,
que não mata as lombrigas,
na boca, no tato;
na mesa,
como sobremesa,
que, quanto mais se alimenta,
mais aumenta.
Miséria,
que se come,
que se consome,
que não some
em nome da fome.
Mesmo com fartura,
eu vejo como séria:
essa mais pura
miséria.
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